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| romance de Rebeca /tudoprontosofaltaonoivo |
Cap. I
O encontro
_Rebeca!
Escutei de longe alguém me chamando, mas a
música estava alta demais, minha cabeça rodopiava com um novo coquetel inventado
expressamente pelo Ricardo, imaginem uma mistura de Velho Barreiro com Smirnoff,
menta e morango. Depois de três doses dessas
eu estava empurrando as paredes que estavam me tirando pra dançar.
_Rebeca, da um
pulinho aqui.
A voz insistia para que eu fosse até algum
lugar, sendo que eu mal conseguia projetar um passo para frente. Foi um dia
cheio de preparativos, recebi cerca de cinquenta amigos para assistir o jogo da
seleção brasileira. Churrasco, almoço, e
um cardápio bem diversificado de batidas e coquetéis, claro que tive que provar
um pouco de todos que preparei antes de servir.
Senti uma mão gentil sobre a minha, a única
que ainda me obedecia e tentava me manter firme em frente ao armário da
cozinha, outra mão passou por sobre meu ombro e uma voz sussurrou no meu
ouvido.
_Vem logo, você
precisa ver o que tem no seu sofá.
A curiosidade venceu o mal estar que se
apoderava do meu estômago e lentamente caminhei apoiada no corpo convidativo
que me envolvia de maneira calorosa e excitante. Achei melhor olhar para o lado
para ter certeza de que quem estava me conduzindo era quem eu imaginava ser.
Por sorte, ao levantar o rosto, senti um beijo suave pousando na minha face, e
vislumbrei o sorriso que queria. Rogério e eu trabalhávamos juntos a poucos
meses e estávamos construindo uma amizade cheia de cumplicidade, sentia nele um
carinho quase de irmão, mas aquele dia revelou que esse carinho era algo mais
para mim e para ele.
Tudo aconteceu de maneira tão natural, no
momento em que estávamos dançando na sala, ele se aproximou de mim, alguns
passos e o boné dele caiu no chão, meu instinto me fez abaixar rápido para
pegá-lo e ao coloca-lo de volta, dei de leve um puxão na aba do boné que trouxe
seu rosto na direção do meu e sua boca diretamente na minha, foi um beijo
molhado, doce, leve e sem resistência, o que fazia meus lábios deslizarem nos
dele de maneira livre e desejável. Não houve palavras nos momentos seguintes,
cada um voltou a fazer o que estava fazendo antes, ele foi cuidar do churrasco
com uns amigos e eu fui preparar as bebidas novamente.
Agora ele me apoiava carinhosamente em
direção à sala, apontou o sofá enquanto eu fazia uma força enorme para
acompanhar com os olhos o que ele estava eufórico para me mostrar. Esfreguei os
olhos repetidas vezes antes de dizer qualquer palavra, queria ter certeza que o
álcool só tinha afetado minha capacidade de me mover. Quando tive certeza que
meus olhos não estavam me enganando um sorriso leve surgiu no meu rosto.
_ Deixa eles! Se
implicar eu não falo mais com você.
A essa altura a maioria dos convidados já
havia ido embora, o jogo havia terminado em zero a zero, resultado que não
agrada mas também não desagrada ninguém, havia poucas pessoas transitando pra
lá e pra cá e no sofá um casalzinho resolveu se aconchegar um pouco mais a
vontade. George segurava uma das mãos de Isadora e o outro braço estava por
cima do ombro dela, que descansava o corpo delicado sobre o tórax dele. Puxei
Rogério pela cintura indicando a cozinha, mas desobediente ele foi me levando
na direção das escadas alegando que eu precisava descansar um pouco, olhei para
os dois abraçados no sofá e não pude deixar de notar que em cada rosto um
sorriso se estendia de orelha a orelha. Meu pensamento parece ter profetizado
naquele momento. “ Perfeitos, um feito pro outro”.
Sem relutância segui Rogério, pois no
rodopio em que estava meu equilíbrio eu já concordava que realmente precisava
de um descanso, mas a cena no sofá, Rogério me carregando escada acima e o
álcool que disputava espaço com minha sanidade, me fez rodar um filme pela
mente.
Quando comecei a trabalhar no escritório de
engenharia, Isadora já estava lá a alguns meses, de imediato sentimos um enorme
carinho uma pela outra, carinho que foi crescendo a medida do tempo até sermos
rotuladas pelo resto do pessoal de dose dupla.
Isadora era delicada, cabelos escuros e
encaracolados até a cintura, traços marcantes no rosto que a faziam lembrar uma
linda descendente indiana. Quieta o suficiente para se destacar pela timidez,
altamente tecnológica e dona de um coração
que conquistava a todos rapidamente, prova disso era sua incansável
lista de amigos no facebook.
Já George conheci quando fui assistir um
treino de futebol, claro que só fui depois da insistência de Rogério para vê-lo
jogar, não que eu pudesse dar qualquer opinião a respeito, os únicos esportes
que eu praticava estavam bem longe da tranquilidade do futebol, eu preferia me
aventurar pelas térmicas com meu glider ou dar uma descontraída fazendo uns
bolders com o pessoal da escalada de São Bento. Ele era o goleiro do time e
George era o zagueiro, o que estreitava o laço de amizade entre eles, pois um
dependia do outro no time. George parecia um cara tranquilo, quieto de brincadeiras
moderadas, respeitava o grupo envolta dele e parecia sempre disposto a ajudar.
Moreno alto, de cabelos jogados para o lado, sorriso largo e tórax bem definido.
Eles tinham um grupinho bem interessante na
época, os principais pareciam até os três mosqueteiros, Rogério, Ricardo e
George. O que levou a vários reencontros do grupo posteriormente inclusive no
churrasco do jogo da seleção na minha casa. George terminou no sofá com a
Isadora, Rogério terminou comigo no quarto, e Ricardo terminou dormindo no chão
do meu closet totalmente embriagado.
Depois continuo pessoal...
grande beijo
Beca

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