quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Livro escrito por Rebeca


romance de Rebeca /tudoprontosofaltaonoivo


Cap. I
O encontro

_Rebeca!
    Escutei de longe alguém me chamando, mas a música estava alta demais, minha cabeça rodopiava com um novo coquetel inventado expressamente pelo Ricardo, imaginem uma mistura de Velho Barreiro com Smirnoff, menta e morango. Depois de três doses dessas  eu estava empurrando as paredes que estavam me tirando pra dançar.
_Rebeca, da um pulinho aqui.
    A voz insistia para que eu fosse até algum lugar, sendo que eu mal conseguia projetar um passo para frente. Foi um dia cheio de preparativos, recebi cerca de cinquenta amigos para assistir o jogo da seleção brasileira.  Churrasco, almoço, e um cardápio bem diversificado de batidas e coquetéis, claro que tive que provar um pouco de todos que preparei antes de servir.       
    Senti uma mão gentil sobre a minha, a única que ainda me obedecia e tentava me manter firme em frente ao armário da cozinha, outra mão passou por sobre meu ombro e uma voz sussurrou no meu ouvido.
_Vem logo, você precisa ver o que tem no seu sofá.
   A curiosidade venceu o mal estar que se apoderava do meu estômago e lentamente caminhei apoiada no corpo convidativo que me envolvia de maneira calorosa e excitante. Achei melhor olhar para o lado para ter certeza de que quem estava me conduzindo era quem eu imaginava ser. Por sorte, ao levantar o rosto, senti um beijo suave pousando na minha face, e vislumbrei o sorriso que queria. Rogério e eu trabalhávamos juntos a poucos meses e estávamos construindo uma amizade cheia de cumplicidade, sentia nele um carinho quase de irmão, mas aquele dia revelou que esse carinho era algo mais para mim e para ele.
    Tudo aconteceu de maneira tão natural, no momento em que estávamos dançando na sala, ele se aproximou de mim, alguns passos e o boné dele caiu no chão, meu instinto me fez abaixar rápido para pegá-lo e ao coloca-lo de volta, dei de leve um puxão na aba do boné que trouxe seu rosto na direção do meu e sua boca diretamente na minha, foi um beijo molhado, doce, leve e sem resistência, o que fazia meus lábios deslizarem nos dele de maneira livre e desejável. Não houve palavras nos momentos seguintes, cada um voltou a fazer o que estava fazendo antes, ele foi cuidar do churrasco com uns amigos e eu fui preparar as bebidas novamente.
    Agora ele me apoiava carinhosamente em direção à sala, apontou o sofá enquanto eu fazia uma força enorme para acompanhar com os olhos o que ele estava eufórico para me mostrar. Esfreguei os olhos repetidas vezes antes de dizer qualquer palavra, queria ter certeza que o álcool só tinha afetado minha capacidade de me mover. Quando tive certeza que meus olhos não estavam me enganando um sorriso leve surgiu no meu rosto.
_ Deixa eles! Se implicar eu não falo mais com você.
    A essa altura a maioria dos convidados já havia ido embora, o jogo havia terminado em zero a zero, resultado que não agrada mas também não desagrada ninguém, havia poucas pessoas transitando pra lá e pra cá e no sofá um casalzinho resolveu se aconchegar um pouco mais a vontade. George segurava uma das mãos de Isadora e o outro braço estava por cima do ombro dela, que descansava o corpo delicado sobre o tórax dele. Puxei Rogério pela cintura indicando a cozinha, mas desobediente ele foi me levando na direção das escadas alegando que eu precisava descansar um pouco, olhei para os dois abraçados no sofá e não pude deixar de notar que em cada rosto um sorriso se estendia de orelha a orelha. Meu pensamento parece ter profetizado naquele momento. “ Perfeitos, um feito pro outro”.
    Sem relutância segui Rogério, pois no rodopio em que estava meu equilíbrio eu já concordava que realmente precisava de um descanso, mas a cena no sofá, Rogério me carregando escada acima e o álcool que disputava espaço com minha sanidade, me fez rodar um filme pela mente.
    Quando comecei a trabalhar no escritório de engenharia, Isadora já estava lá a alguns meses, de imediato sentimos um enorme carinho uma pela outra, carinho que foi crescendo a medida do tempo até sermos rotuladas pelo resto do pessoal de dose dupla.
     Isadora era delicada, cabelos escuros e encaracolados até a cintura, traços marcantes no rosto que a faziam lembrar uma linda descendente indiana. Quieta o suficiente para se destacar pela timidez, altamente tecnológica e dona de um coração  que conquistava a todos rapidamente, prova disso era sua incansável lista de amigos no facebook.
     Já George conheci quando fui assistir um treino de futebol, claro que só fui depois da insistência de Rogério para vê-lo jogar, não que eu pudesse dar qualquer opinião a respeito, os únicos esportes que eu praticava estavam bem longe da tranquilidade do futebol, eu preferia me aventurar pelas térmicas com meu glider ou dar uma descontraída fazendo uns bolders com o pessoal da escalada de São Bento. Ele era o goleiro do time e George era o zagueiro, o que estreitava o laço de amizade entre eles, pois um dependia do outro no time. George parecia um cara tranquilo, quieto de brincadeiras moderadas, respeitava o grupo envolta dele e parecia sempre disposto a ajudar. Moreno alto, de cabelos jogados para o lado, sorriso largo e tórax bem definido.
    Eles tinham um grupinho bem interessante na época, os principais pareciam até os três mosqueteiros, Rogério, Ricardo e George. O que levou a vários reencontros do grupo posteriormente inclusive no churrasco do jogo da seleção na minha casa. George terminou no sofá com a Isadora, Rogério terminou comigo no quarto, e Ricardo terminou dormindo no chão do meu closet totalmente embriagado.

Depois continuo pessoal...
grande beijo
Beca