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| imagem da internet / destino |
Estava eu, bem distraida, em um bar da Lapa no Rio de Janeiro, num dia em que eu realmente havia saido de casa apenas para dançar e relaxar, uma amiga que me acompanhava, depois de dar várias voltas atrás de algum amor a primeira vista, encostou no bar ao meu lado, sem muito entusiasmo na voz, veio me contando, que havia visto um cara super gatinho, com a cara do Edu Guedes, mas que perdeu ele de vista porque precisou ir ao toalet. Eu, como estava nesses dias em que se quer conversar apenas com o barman, que por sinal era um amigo antigo e querido, dei de ombros e falei pra ela sossegar um pouco do meu lado. Pedi para o Beto fazer um sexthemoon, e escorreguei o copo para ela provar, esse é o tipo de drink do qual não se pode perder uma única gota, e a doida quase derrubou o copo.
_Olha ele ali!
Virei para o lado que ela indicava, e depois vi sua cara de mulher fatal, o que realmente ela era, magra com cabelos negros longos e olhos verdes, era dificil algum cara passar sem olhar, e para sua alegria foi o que aconteceu, o tal carinha e mais um amigo passaram esticando o pescoço na nossa direção.
_Viu, disse que ele era a cara do Edu Guedes, lindo!
_ Lembra vagamente. Respondi dei uma pausa com um suspiro e continuei - Em uma versão bem mais baixa e sem pescoço, não achei graça nenhuma, nem nele, nem no amigo dele, e isso siginifica, que não vou sair com o amigo de ninguém, hoje minha atenção é exclusiva do José Roberto. Conclui e dei uma piscada para o meu velho amigo que riu alto enquanto preparava outro drink que alguém havia lhe pedido.
_ Pode deixar, já entendi!
Nesse momento os dois passaram novamente por nós e esticaram olhares e sorrisos.
_Vou lá falar com ele! E saiu animada.
Voltei a lembrar os tempos de escola com Beto, ele era agradável e sempre tinhamos boas histórias para lembrar, ele me contava sobre suas conquistas e eu claro sempre tinha um desamor para relatar. Não passou muito tempo, me chega ela com os dois a tira colo, eles encostaram no balcão a cerca de dois metros de distância e ela veio até mim.
_Antes que você me diga qualquer coisa, deixe eu te lembrar que só vim aqui para dançar e jogar conversa fora, não quero conhecer ninguém.
_ Sei disso, mas sabe aquele carinha que achei lindo! Pois é, gostou de você, ele disse que está encantado e que na cultura dele, mulheres com quadril largo darão boas mães.
_ kkkkkkkkkkkkkkk! Não aguentei ouvir aquilo, tenho mesmo um belo quadril, mas alguém ir na balada para procurar uma boa futura mãe, é coisa que não se houve com frequência, e talvez minha risada tenha dado uma impressão errada para a dupla que esperava mais adiante no bar, pois antes que minha amiga voltasse até eles para responder se eu queria falar com alguém eles se aproximaram. Sem vontade alguma, mas com a boa educação que minha mãe me deu, deixei eles sentarem perto da gente. O assunto foi entediante, algo sobre uma comemoração de aniversário que não deu certo, algo a mais sobre meu quadril, e alguns olhares do José Roberto na minha direção fazendo mimica de alguém sendo enforcado, o que me fazia soltar um sorriso ou outro.
Por volta das duas da manhã, decidi ir embora, e o cara com a conversa mais entediante que eu já havia ouvido nos últimos tempos, resolveu dar sua cartada final, me acompanhou até o estacionamento e para meu azar o carro dele estava estacionado dois carros adiante do meu, ele me puxou pela mão dizendo que ia me mostrar com o que ele trabalhava. Abriu o porta malas do carro e tirou uma caixa de marmore com uma estatueta de cachorro dourada em cima. Curiosa perguntei o que era.
_ É uma urna funerária, trabalho com sepultamento de pets.
Estiquei os olhos e vi dentro do porta malas, pelo menos umas dez urnas cada uma com um animal diferente, havia inclusive uma com um rato. Ele parou para me explicar como era feita a cremação dos bichinhos de estimação e me contou a história da ratazana. Achei que já tinha sido educada demais e dei boa noite, virando as costas e indo em direção ao meu carro. No entanto ele deve ter imaginado que minha educação era interesse e foi caminhando atrás de mim. Parei na porta do carro e ele encostou a mão na porta bloqueando a abertura.
_Posso te dar um beijo?
_ Não creio que tenha dado a impressão de que isso iria acontecer.
_ Oras, Toda mulher quer sair de um bar acompanhada!
_ Desculpe, não essa mulher! Mas se você for bem esperto vai esperar minha amiga sair, aquele é o carro dela, e você está na lista de amores a primeira vista dela.
Ele ia iniciar mais alguma frase de ouro. Mas depois de ouvir que eu seria uma boa reprodutora, de um cara que anda com um monte de cinzas de animais no porta malas do carro, minha paciência acabou.
_ Preciso ir embora, amanhã tenho plantão no hospital.
_Me passa seu telefone que te ligo.
Tentei puxar a porta do carro, mas ele parecia determinado a ficar esperando alguma coisa de mim. Lancei um olhar furioso em sua direção e ia começar a dar um escândalo quando senti uma mão me puxando pelo ombro e me virando como num rodopio de dança, não consegui ver nada além da boca que já estava colada na minha me lambuzando de um beijo melado que não pude resistir, meio minuto depois fui solta e abri os olhos.
José Roberto ainda segurava minha cabeça pela nuca, com seus dedos emaranhados nos meus cabelos puxando-os de leve. Olhando para mim, dentro dos meus olhos, disse sem virar a cabeça.
_Quando você quiser uma mulher como essa, você não deve pedir um beijo e sim dar-lhe um beijo, mas tem que ser um beijo com desejo, senão você leva uma bofetada companheiro.
Ouvi os passos do cara deselegante e desinteressante se afastarem, apenas ouvi, pois meus olhos estavam grudados nos olhos do Beto e minha atenção estava direcionada nas mãos que acariciavam o meu pescoço.
_Te salvei Beca?
_Com certeza! Posso te agradecer com um café?
_ Só se for aquele delicioso que você prepara e leva pra gente tomar juntos na sua cama.
_ Era esse mesmo que eu ia oferecer.
_ Você me espera aqui ou no bar?
_ Melhor no bar.
_Concordo! Assim posso ficar te olhando e pensando em você preparando o café.
Ele me ergueu no colo pela cintura e colou sua boca na minha novamente.
Saimos andando em direção ao bar quando percebi que a miniatura de Edu Guedes havia se encostado no carro da minha amiga.
E o café da manhã? Foi ótimo, como sempre era nas vezes em que ele me resgatava.
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| imagem da internet/ café da manhã com paixão |
Rebeca


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